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“Tirar alguém da cadeia é fácil, tirar do crime é muito difícil” - (parte I) - ZeroHora

 

12 de julho de 2015 | N° 18224


COM A PALAVRA


“Tirar alguém da cadeia é fácil, tirar do crime é muito difícil”


Com a mania que tem de ouvir, de querer saber mais do que está registrado nos “autos do processo”, o juiz Sidinei José Brzuska, 47 anos, percorre com desenvoltura os meandros do sistema penitenciário. Conhece os principais líderes das cadeias, os presos comuns, familiares e funcionários. É por meio desses contatos que tira informações para embasar suas decisões.


Natural de Três de Maio, Brzuska é casado e tem três filhos. Há 18 anos trabalhando com execução de penas, acredita na recuperação de criminosos apostando no que a pessoa tem de bom. Avalia que são poucos os que não têm futuro longe do crime.

Atualmente, trata dos processos de 4,5 mil detentos, do Presídio Central e da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. De 2008 a 2012, quando atuou na fiscalização de presídios – eram 26 cadeias –, tinha um total de 14 mil detentos sob sua tutela.


Durante três horas, conversou com Zero Hora em seu gabinete, no Fórum Central da Capital.


Como a ideia de ser juiz surgiu na cabeça do jovem borracheiro e lavador de carros de Três de Maio?

 

Queria ser motorista de caminhão. Meu pai era lavador de carros. Minha mãe era do lar. Meu pai conseguiu uma bolsa de estudos, eu era cotista num colégio particular. Uma coisa interessante é que quando tinha a revista do piolho e do cascão, só faziam nos cotistas. O fato de eu ser juiz tem a ver com uma coisa, que é eu nunca me conformar com respostas que não entendesse. Tinha dificuldade de entender contas matemáticas. Quando meus colegas não sabiam fazer as contas, a professora sentava ao lado e explicava. Quando chegava na minha vez, ela me mandava para o quadro. Tinha de mostrar que não sabia para todo mundo. Isso me criou um bloqueio na matemática. Me tornei juiz porque não gosto de matemática.

 

Simples assim?

 

Dessa experiência de ir para o quadro eu senti a discriminação do cotista, levei aquele bloqueio da matemática. No 2º grau, escolhi um curso técnico (administração de empresas) que tivesse menos matemática, e nesse curso tinha noções de Direito. Perguntei ao professor, um advogado, se a matemática no Direito era muito puxada. Ele disse que não tinha matemática. Então é isso aí, pensei. Me tornei juiz porque fui para o quadro no primário sem saber fazer conta, porque eu era cotista e não me ensinaram.

 

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